‘NADA É TÃO RUIM...’*Por
Fábio Lemos,
Definitivamente nada é tão ruim que não possa ficar pior ainda.
O governo municipal se esforça já vão dezoito meses em festejar o triste ditado. Quanto mais divulga o contrário (que está fazendo algo), mais vai empilhando motivos para que acreditemos no avesso do contrário (não consegue começar o próprio governo). Enquanto isso nos deixa a nítida impressão de que o maior problema já não é mais o tempo passado, de triste memória, mas sim, o outro tanto, que ainda teremos de trilhar por conta da atual administração.
Nuvens carregadas e sombrias espreitam no horizonte.
É bem assim, não temos nenhum motivo para estarmos otimistas. Nem nós, cidadãos comuns, muito menos os servidores municipais que tem sido, inescrupulosamente, o principal alvo do conjunto de desacertos. Não é difícil identificar o servidor municipal no epicentro do furacão. A bem da verdade é ele quem vem, orçamentariamente, patrocinando o desequilíbrio. Pode-se dizer que vai pra conta dele o que não percebe, percebem?! Imagina a diferença do que foi orçado em 2.009 e do que foi efetivamente concedido ao servidor. Ora, esta diferença era real, se não foi concedida ao servidor e estava no orçamento, foi desviada para outros lados, compreendem?! E em 2.010, existe lá na peça orçamentária uma previsão franciscana de reposição, para o mês de abril. Estamos em junho e para algum lugar está sendo realocado estes recursos. E o pior fica por conta do mal ensinado dito popular: ‘nada é tão ruim que não possa ficar pior ainda’. E é nisto que se sustenta a irrefutável argumentação.
Tomara que eu esteja enganado, mas não me iludo. Números e tendências não costumam mentir. Ponho-me a imaginar o tamanho da decepção que aflige a tantos, legítimos responsáveis ou co-responsáveis pela atual gestão. Excetuando-se os apaixonados (a custa de interesses pessoais preservados), os demais, em sã consciência, não devem estar nada felizes. Imagino que a decepção deva ser proporcional ao tamanho da confiança depositada. Agora o melhor a fazer é desejar que o tempo passe depressa e que o governo comece efetivamente a governar. O resultado é visível. E ruim!
Mas não se preocupem: ‘nada é de fato tão ruim que...’
Breve episódio, caminhada na cidade: “Ontem fui caminhar no Parcão. Decepção e tristeza. Calçadas desniveladas, esburacadas e ruas idem. Tem uma rua que verte água da sarjeta. Juro! Curiosamente ali bem pertinho da Secretaria de Obras, atrás do colégio. Não dispõe de calçada, nem meio fio nem nada. Em pleno centro da cidade, deplorável. Estendi então a caminhada até o secador da Nova Escócia, ali bem no final norte do perímetro urbano. Cheguei lá! Acreditem! Sobrevivi! O Toby (cachorrinho da Josélia) não teve a mesma sorte. Vários Tobys, aliás, devem ficar pelo caminho. Sim, é risco certo, alto risco. E a pé, ao vivo e a cores se cheira e se vê com clareza o panorama.
Não seria preciso dizer, mas sabemos que o sistema de drenagem pluvial e cloacal da cidade, esbarra na RST-101, rumo à Lagoa do Fumo. Sob seu leito, existem algumas pontes, com o dito propósito de escoamento dos efluxos. Descobri nesta caminhada que este talvez seja um dos maiores problemas que enfrentamos e que este governo não consegue atacar. Nem minimizar, tampouco. Porque a situação é, realmente caótica. Não fazem drenagem, eu acho, ou não lhe dão a devida importância. É a sensação. E o inverno está todo pela frente. Imagino que os reflexos disso deva estar lá nas vilas periféricas, pois se não há dreno as águas devem ficar por lá mesmo.
No trevo de entrada, há dejetos cloacais, lixo, animais de toda a espécie e muito mal-cheiro. Os animais, imagino, estejam contratados para os serviços de poda. Vai ver que é isto que está pesando na folha. Enfim. É exatamente assim o acesso principal da cidade. Não há exagero no que falo, nada que nos deixe orgulhosos. Seguindo adiante, toda a sorte (ou seria azar), de exemplos de descaso. São dois quilômetros de tudo de ruim. Buracos, falta de acostamento, lixo de toda a ordem, mal-cheiro, drenos atulhados... Enfim. Fim de episódio.”
Será que...
Drenos compatíveis, pistas em condições de tráfego, acostamento para ciclistas e pedestres, na área urbana, paradas de ônibus seguras, rua lateral cuidada, e um belo trevo de acesso, com um simpático letreiro, “Bem vindo a Freguesia de Mostardas”. Será que é pedir demais?
Respondo: não!
Trata-se de obrigação. E obrigação não é favor. É o mínimo que podemos reivindicar, que temos legitimidade e direito de fazê-lo.
E tudo isso tem assento na ação política, ou na falta dela. Omissão.
É o fator político que determina e impõe tal estado de coisas. E a nossa política infelizmente está escanchada nos vícios gerais da própria política que acompanhamos pelos jornais. Está presa e engessada a tudo isso porque faz exatamente igual. E o resultado de tudo está aí. Para quem quiser comprovar basta fazer o que eu e o Toby ousamos: caminhar pela cidade. É o que basta.
Resta uma pergunta, onde anda a oposição que nos faz ficar com saudade de uns e outros?! A triste realidade é que nem mesmo ela existe.
E assim até a esperança é um céu azul que nos foge. E que vai acumulando no horizonte nuvens carregadas que anunciam muitas dificuldades e raras expectativas.