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sábado, 3 de outubro de 2009

GOVERNO PREVISÍVEL


GOVERNO PREVISÍVEL

Fábio Lemos

Chegou outubro, pariu a criança, nove meses se foram e... nada.

As chuvas levaram as promessas pelas bocas-de-lobo e estas promessas perderam-se nas lagoas e ganharam o infinito do mar. Tomara toldem as águas salobras e as levem junto para bem longe, pelo menos a safra fica salva.

A propósito: por onde anda o Vice-Prefeito? Alguém sabe alguma notícia.

Onde está a reposição salarial dos servidores públicos, aquela que foi concedida pela metade, ou metade da metade, com a promessa de... mais adiante quem sabe, e, ninguém mais fala, caiu no esquecimento?

O homem mandou poupar papel, chimarrão e cafezinho.

Onde anda o governo da saúde e da melhor educação de todos os tempos?

O que vemos é, ambas, claudicarem em dificuldades.

Este mesmo governo quando oposição esmurrava na mesa, berrava aos céus e não dava trégua ao governo anterior por causa das mesmas ruas esburacadas e sujas, da reposição salarial dos servidores e de tudo e qualquer coisa que agora, no poder, simplesmente não atende. Fica evidente a intenção do voto e apoio popular a qualquer preço, levianamente.

Onde andam os paladinos de outrora, mentores de promessas e expectativas, explícitas ou não, exploradores das mesmas impossibilidades que agora lhes compete resgatar?

Não sei, não sei, imagino que andem por aí, dizendo amém ao pouco que se faz e ignorando os atos e as omissões a que tanto criticavam.

Alguém se lembra do Festival de Aves? Diferenciado, internacional.

E a OVEARTE, maior festa popular local, alguém tem notícia de quando será?

O que se vê é a mesmice de um governo comprometido até o último fio de cabelo com a eleição que o sustentou e sem rumo.

É o que se vê! Como sempre muito barulho e... nada.

Níveis complicados de comprometimento com pessoal, naquele que é o melhor termômetro da qualidade da administração a testemunhar o nível da administração. Dados inconfiáveis e preocupantes.

Certamente alegarão frustração de receita ou algo que o valha, como se se desconhecessem a possibilidade real de que isto ocorresse. Não faz muito este mesmo governo governou, portanto não desconhece nada. Apenas fez o contrário da administração anterior, quando poupou e zelou como é recomendável.

O certo contudo, é que o atual governo recebeu de herança considerável aporte de recursos em caixa, bons projetos e exatos 44,38% de comprometimento com pessoal.

Hoje parece que desaprendeu, frustra os servidores e a sociedade, raspa reservas recebidas e cumpre o desserviço de elevar o comprometimento de despesas com pessoal para 50,16 % índice de agosto de 2009, muito próximo do limite legal.

Nada absolutamente nada de novo, como suspeitávamos e era de se esperar.

A “obra” mais saliente é a construção de uma pista de skate no parcão para deleite de quem a prometeu apenas, resgate eleitoral. É assim.

Nada além de frustração, inversão de expectativas e tergiversação, a confirmar a lógica de que a mentira tem de fato pernas curtas.

Pobre rica Mostardas, que sina!

Mantém-se refém da Tereca, sob o beneplácito pasmo da catrefa. Como se não houvesse jeito.

Leis ambientais que se chocam frontalmente com o bom senso e com garantias pétreas e sociais a que temos o dever de atender, são leis profundamente questionáveis. E o governo... nada.

De tudo apenas, restam duas constatações: pariu a criança e a gravidez era psicológica. Responsabilidade do governo... nada. De nós... toda.

A culpa é nossa, e isso temos de, pelo menos, admitir. A culpa é nossa.

É da nossa pachorra, da paciência bovina que nos faz construir um futuro ruminante.

Pobre Mostardas! Uma Câmara impotente e um governo incompetente e ambos mentem. Se rima enchesse barriga nós ‘tava’ contente, mas barriga não enche. Ô tristeza.

Agora está entendido a mudança e atitude que queremos e desejamos não vai cair do céu definitivamente. Precisamos provoca-la, desperta-la e faze-la acontecer. Custa, mas assim é, sob pena de colhermos mesmice e... nada.

Pobre rica Mostardas, imita o Brasil no que não deveria: potencialmente rica, culturalmente pobre.

E arrecada como um pequeno município sem rumo.