.
Mostrando postagens com marcador arthur ferreira filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arthur ferreira filho. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de setembro de 2011

Bento Gonçalves renuncia a vitória


Na madrugada de 16 de julho de 1840, ainda noite escura, uma força de 1200 farrapos, sob o comando direto de Bento Gonçalves, entrou em contacto com os defensores da vila (São José do Norte).
Estes eram constituídos de alguns batalhões de infantaria e pequena tropa de cavalaria, sendo comandante da praça o coronel Antônio Soares de Paiva.
Dada a escuridão da hora e o arrojo dos atacantes, a luta tomou logo o aspecto de um corpo-a-corpo feroz, em que o terreno conquistado ia ficando coberto pelos corpos dos combatentes que tombavam.

Quando o sol surgiu, dourando o espelho das águas mansas do canal, os defensores já se tinham retraído para o centro da vila, intricheirando-se nas casas, oferecendo uma resistência desesperada.

A posição dos imperiais era favorecida pelas águas que impediam um cerco completo e proporcionavam o recebimento de recursos por via marítima, e também pelo auxílio de dois barcos de guerra que metralhavam as posições dos atacantes.

Ia alto o dia e o combate continuava indeciso, quando José Garibaldi alvitrou: - "Mande incendiar a praça. É o único meio de conquistá-la." Ao que Bento Gonçalves respondeu: - "Nunca farei isso. Por esse preço não desejo a vitória!"
E mandou tocar a retirada.
Eram 10 horas do dia. O minuano que começara a soprar, repontando as nuvens na direção do norte, encrespava as águas do canal do Rio Grande.

Retirado do livro Rio Grande Heróico e Pitoresco, Arthur Ferreira Filho, Série História Gaúcha 2, Martins Livreiro Editor.